Com licença para dirigir
Emile Hirsch fala de sua experiência ao volante do Mach 5 e revela ser um motorista responsável
André Gordirro
Matéria publicada na edição 251 (Maio/2008) de SET
Você já conhecia Speed Racer, o desenho original?Eu cresci com Speed Racer, via com 6 anos de idade na TV. É um sonho fazer parte disso. Quando soube que os irmãos Wachowski iam fazer, nem precisei ler o roteiro para aceitar.
Como era um típico dia no set de filmagem?
Bem, filmar num estúdio todo verde torna os dias muito parecidos. A diferença nasce em sua imaginação. Todas as minhas memórias envolvem paredes verdes. Quando tento me lembrar de alguma coisa, geralmente me recordo de algo puramente imaginativo, tipo, "ah, naquele dia as paredes verdes eram cavernas de gelo!". Mas o chimpanzé é uma memória real.
Ah, sim, o chimpanzé que mordeu alguém não relevado do elenco. Foi você?
Não fui eu, foi outra pessoa. O estúdio indenizou o cara (fala baixo, rindo). "Toma um doce, garoto. Agora cai fora daqui!" (risos). Sério: não foi nada grave. O chimpanzé foi um elemento bem imprevisível. Ele devia agir de acordo com a marcação, mas tinha vezes que não estava a fim disso, e sim de pular para lá e para cá, e na cabeça da Susan Sarandon. E brincar de enterrada do Michael Jordan nos peitos da Christina Ricci (imita um macaco). Eram dois chimpanzés, Kenzy e Willy, tipo as gêmeas Olsen. Sai uma, entra outra. Foi engraçado porque o Willy tinha a má reputação de ser rabugento, enquanto Kenzy era tido como o fofinho, e foi ele que mordeu o cara.
Como foi a experiência com o giroscópio?
Foi loucura porque ele tinha muita potência. Havia um dispositivo de segurança que se fosse desligado podia quebrar seu pescoço assim (estala os dedos). Eu saía com uns hematomas e às vezes meio tonto, mas gritava e implorava para que parassem (risos). O operador do giroscópio tinha controles iguais aos de videogame, do PlayStation 2 mesmo, que usava para controlar a máquina. E como ele via a pista da corrida no monitor, era como se literalmente jogasse o game. Eu me movia quando o carro controlado por ele se movia. Tinha vezes em que dava três giros de 360º, mas eu começava a gritar até parar. Aí o cara vinha correndo perguntando se eu estava bem ou era atuação. Eu dizia, "yeah, claro que foi atuação!".
Mas foi algo bem mais ameno que a preparação para Na Natureza Selvagem...
Ah, sim! Só por não ter de perder peso nem contracenar com ursos, eu já fiquei interessado!
Você conheceu pilotos para se preparar para o papel?
Conheci o famoso corredor da Nascar, Jimmie Johnson. Fui a uma corrida, freqüentei as garagens, falei com ele dos meandros do mundo das corridas, sobre a influência das corporações, vi o assédio da imprensa.
Qual sua experiência com carros?
Sou um motorista responsável. Meus amigos riram muito quando consegui o papel porque sempre cobro que coloquem o cinto de segurança quando entram no meu carro e não sou de correr. Nunca levei uma multa por excesso de velocidade.
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