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Rodrigo Santoro

Uma entrevista com o astro brasileiro que faz sucesso em Hollywood

Mariane Morisawa, de Cannes

Matéria publicada na edição 252 (Junho/2008) de SET

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Rodrigo Santoro já acumulou experiência fazendo filmes em inglês, de As Panteras Detonando a 300, Simplesmente Amor e a série Lost. Agora, é a vez do espanhol. O ator brasileiro, em cartaz por aqui com Cinturão Vermelho, apresentou no Festival de Cannes o argentino Leonera, de Pablo Trapero, e o americano Che, de Steven Soderbergh, em que atua na língua dos hermanos.

Como entrou no elenco de Leonera?
A diretora de elenco sugeriu meu nome. Pablo Trapero conversou com Walter Salles, com quem eu já tinha trabalhado. O Pablo me ligou e falou: "Tenho um personagem que é muito pequeno, mas muito intenso. É um personagem forte, e fundamental para a trama". Ele me disse que era um personagem dividido, que carrega uma dor, uma intensidade e uma aura misteriosa. Achei que poderia ser um grande desafio.

E como foi fazer Che?
Uma grande jornada, talvez minha jornada mais longa, entre preparação e filmagem. Foi uma grande aventura. Quando decidiram que eu faria Raúl Castro, decidi que deveria ir a Cuba. E foi lindo. Levei o Sergio Penna, preparador que trabalhou comigo em Bicho de Sete Cabeças. Fui à Sierra Maestra, procurei passar pelos lugares. O essencial foi conhecer as pessoas, a atmosfera. Tive contato com todas essas coisas para encontrar o jovem Raúl, um romântico, que queria fazer a revolução. O set era no meio do mato. Então era lama, calor, mosquito. O roteiro, os personagens, tudo foi trabalhado durante o processo. Além do improviso, o roteiro era constantemente trabalhado. São dois filmes, o processo da revolução levou anos, muitas coisas aconteceram. Ele precisava eleger momentos, senão ia ser muito mais do que quatro horas.

Ainda incomoda quando falam sobre o tamanho de seus papéis aqui no Brasil?
Pareço incomodado? Não estou aí. Nas Panteras, era novo para mim e acho que também para as pessoas. Me surpreendi e pensava: "Por que estão me criticando? Será que cometi um erro?". Para mim era uma diversão. Me convidaram para fazer um filme de ação, trabalhei com atores legais, numa grande produção. Com o passar do tempo, entendi assim: as pessoas se acostumaram a me ver em papéis maiores no Brasil. Na verdade, vou ser Poliana e achar que eles estão querendo me ver num papel melhor.

O que mudou desde a primeira ida a Cannes, em 2003?
Estou mais maduro. Essa história de viajar, trabalhar fora, de ficar indo e voltando, tem um lado muito positivo. No ano passado foi muito legal, porque tive essas duas oportunidade que foram parar em Cannes. Dá uma sensação muito boa de que vale a pena arriscar mesmo. Nas viagens, você sempre está muito solitário e isso amadurece. Não estou dizendo que sou o madurão da cocada preta, mas de 2003 para cá muitas coisas rolaram. Sinto que consigo lidar melhor com as entrevistas, consigo me expressar com mais clareza, me concentrar para fazer minhas escolhas.

Qual o lado negativo de tantas viagens?
Estar sempre sozinho. Já me acostumei ao avião. Mas fazer as malas, eu não gosto. Acho que nunca vou gostar. Isso é coisa de menina, não é coisa de menino. Boto uma bermuda, duas calças e três camisetas e minha mãe dá uma geral. Sou muito prático.

E os próximos projetos?
Estou terminado I Love You Philip Morris, no qual sou Jimmy. É a história verídica desse estelionatário que vai parar na prisão e se apaixona pelo Philip Morris (Ewan McGregor). Meu personagem é o primeiro amor do personagem de Jim Carrey. Depois vêm Leonera, Che e a comédia The Post Grad Survival Guide, dirigida pela Vicky Jenson, de Shrek. É uma comédia família, bem leve, descompromissada. Tinha acabado de fazer Leonera na prisão e Che na mata. Resolvi dar umas risadas. E foi ótimo.
   

Ricardo d'Angelo

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